Hoje foi aprovada a lei da paridade. Tudo bem, se isto não tivesse demonstrado mais uma vez a atenção dos deputados aquando das votações na Assembleia da República. Vejamos primeiro o conteúdo da lei. A partir de agora os partidos estão obrigados a incluír pelo menos um terço de mulheres em lugares elegíveis nas listas para eleições legislativas, autárquicas e europeias. Numa altura em que se fala recorrentemente de discriminação, faz sentido criar um regime que impõe uma lista destas? Vejamos, existia anteriormente alguma lei que impedia o acesso das mulheres às listas para eleições? Não. Então não é esta obrigação uma clara discriminação aos outros deputados que consideravam fazer parte das listas?
Atenção, eu vejo com bons olhos a participação na política de qualquer cidadão - homem ou mulher - mas qual é a legitimidade de impor um número mínimo de mulheres às listas eleitorais? Enfim, estas são outras guerras para outras discussões.
Relançando o assunto polémico de hoje, leia-se - O que fazem realmente os deputados na AR? Pouco tempo depois do quorum, tivemos hoje um brinde digno de qualquer jogo televisivo (um deles começa por "Quem", acaba em "Ganha" e lá para o meio tem "Quer"). Na primeira votação, o registo electrónico da Assembleia da República apurou um chumbo da referida lei. O irónico é que ela foi apurada. Como? Para ser apurada, a lei da paridade precisaria de 116 votos favoráveis (na primeira votação apuraram-se 111). Face a este resultado, os deputados, indignados, reclamaram junto de Jaime Gama alegando que o seu voto não teria sido contado. O que terão eles dito ao presidente da Assembleia? "Desculpa lá, oh Jaime, mas não fui a tempo de carregar no botão!". O que é facto é que as reclamações foram aceites, e após assinarem uma folha de presenças, os indignados lá viram a lei aprovada.
Só em Portugal...